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Mostrando postagens de Julho, 2013

Lei Rouanet: Mãe para alguns, madrasta para outros.

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Profª Aline Martins Redação d'O Historiante


Uma manifestação cultural pode ser custeada de várias maneiras, mas aqui no Brasil os financiamentos são feitos, em sua maioria, através das leis de incentivo. A lei Rouanet, que recebeu esse nome devido ao então ministro da Cultura Sérgio Paulo Rouanet, é a mais conhecida e a mais importante delas. Ela foi criada em dezembro de 1991 para estimular as empresas do país a investir na área cultural e retirar parte desse ônus do Estado. Empresas e pessoas que investem dinheiro na cultura têm descontos nos impostos, recuperando todo ou parte do dinheiro investido. 
A lei Rouanet é alvo de muitas polêmicas, entre elas o fato de o Ministério da cultura já ter sido alvo de calote inúmeras vezes. Os casos mais famosos são o do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e suas sucessivas prorrogações de prazo para entrega do projeto de preservação e digitalização do acervo do ex-presidente FHC, e também o do produtor-ator Guilherme Fontes que ter…

Em Petrolina... Repressão fardada? Sobre o Vale que acordou e um tal de Cauby.

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Membros do Vale Acordou, na Prefeitura de Petrolina (Imagem: carlosbritto.com)

Prof. Pablo Michel Magalhães
Redação d'O Historiante


Bê-a-bá do liberalismo: o Estado de direito, legítimo, possui o poder de uso da coação física. Sobre coação física entenda-se o direito de, por meio da força, fazer valer os interesses do Estado sobre aqueles que são vistos como "subversivos" à ordem natural. Agora, um pouco de weberianismo clássico: ainda que, em uma dominação legitimada por estatutos (ou, no vernáculo popularesco, constituição, carta magna, etc e tal), aquele que exerce o cargo administrativo seja identificado como "servidor público", mesmo assim, este exerce dominação de fato sobre os que o instituíram no trabalho (ou seja, os votantes comuns de cada dia, como seu João e dona Maria). Quem vive dentro desse sistema vai achar feio, abominável, desprezível, tudo o que não refletir ele mesmo. Em palavras claras e diretas, Narciso acha feio tudo aquilo que não é esp…

Eu também jogaria pedra, Wadi Maswadeh.

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Profº Neto Almeida Redação d'O Historiante 



No último dia 09/07, mais uma cena lamentável chamou a atenção do mundo para a região de maior conflito do planeta: o Oriente Médio. Assistia estupefato ao vídeo abaixo que mostra uma criança de 5 anos sendo presa e depois interrogada pela polícia do Estado de Israel. O vídeo foi divulgado pela organização israelense Betselem (veja aqui). 
São cenas que mostram pelo menos seis soldados israelenses armados com um poderio bélico necessário para prender uma criança que chora desesperadamente por seu pai ou por familiares em busca de refúgio. Apesar das lágrimas do pequeno Wadi, ambos, ele e seu pai foram colocados dentro de um dos carros dos soldados e levados para um interrogatório que durou cerca de duas horas. A criança afirmou que seu alvo não era exatamente os carros do exército de Israel, mas um cachorro que passava enquanto ele brincava na rua onde mora.

Musical - Across the Universe (os Beatles em questão).

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Prof. Pablo Michel Magalhães
Redação d'O Historiante



Poucos são os musicais que conseguem despertar, em mim, a atenção e a curiosidade. A linguagem e o time de um longa metragem possuem um ritmo que, nem sempre, consegue ser acompanhado pelas canções selecionadas. Uma boa trilha sonora pode realçar as cores e tons de um filme, potencializando as cenas, cativando os espectadores. Moulin Rouge e Os miseráveis, por exemplo, conseguem tal feito brilhantemente (como não se emocionar com a melancolia de Jean Valjean, na voz de Hugh Jackman, ou se apaixonar pela Cosette de Amanda Seyfried ou pela Satine de Nicole Kidman, vozes lindíssimas!). Conseguir uma obra musical de êxito nas telonas é trabalho difícil, mas não impossível.

Liberdade ainda que tardia!

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Prof. Juliano Mota Redação d'O Historiante
Ainda no calor de uma intensa discussão gerada em uma mesa redonda que participei sobre a importância e/ou o descrédito da religião para a sociedade, desenvolvida com vários representantes desta temática (católico, espírita, ateu, candomblecista, protestante) na escola básica, venho debruçar-me sobre um assunto que não fugirá do que será proposto nesta crônica e que está na moda, sobretudo midiática: a liberdade de expressão. Pretendo recitá-la em versos inspirados no cotidiano popular, cantá-la por entre viadutos, rodovias, estádios, praças e avenidas assim como um hino, abençoa-la ou até maldizê-la conforme a instituição que eu for porta-voz, colorir ou deixa-la na sobriedade de um  mundo cinzento  dos vícios, injustiças e desigualdades sociais.

Filme – Cadillac Records

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Prof. André Araújo Redação d’O Historiante.

Elvis Presley é o rei do rock, certo? Uma das lendas do ritmo que embalou noites de romance de muitas gerações, que virou sinônimo de rebeldia dos anos 50 em diante e teria inaugurado uma cena cultural diferente nos Estados Unidos e no mundo. O frenético rock ‘n roll se popularizaria mundialmente com os Beatles e teríamos um ritmo jovem, contestador e que popularizaria novas concepções na estética musical, na moda e no comportamento de várias gerações. Essa é uma história onde alguns sujeitos que contribuíram para a criação desse novo ritmo foram silenciados, para não dizer roubados, de sua propriedade intelectual. Enfim, apagados da história do rock ‘n roll. Esse silenciamento passa necessariamente por uma revisão e discussão sobre a contribuição da população afro-americana na música contemporânea mundial e como a indústria cultural norte-americana negou e tentou deletar esta contribuição. A dica cultural de hoje nos apresenta este contexto a…

Muito mais que uma questão de "não ter eira nem beira"

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Prof. Lucas Adriel S. de Almeida. Redação d'O Historiante
Não é algo incomum, principalmente em tempos de tanta participação popular nos processos decisórios do nosso país, ouvirmos falar de que o Brasil é uma nação democrática. O principal argumento para sustentar este discurso, se pauta na prerrogativa de que nós brasileiros temos o direito de escolher os nossos representantes, nossas lideranças. Desta forma, alegam muitos, como não estaríamos vivendo, portanto, uma democracia? Entretanto acredito que, como já citei aqui em outros textos, apesar de não discordar que esta democracia exista, entendo que ela é apenas parcial, já que o exercício democrático é balizado por diversas outras questões, questões estas que o impedem de existir em sua plenitude.

Filme - A Vida é Bela.

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Prof. Lucas Adriel S. de Almeida. Redação de O' Historiante.

Lançado no ano de 1998, na Itália, com o título original "La Vita è Bella", a obra dirigida por Roberto Benigni mostra as mazelas da Segunda Guerra Mundial na Itália, sob um olhar bastante particular. Retrata este contexto histórico através da relação de amor entre o judeu Guido (Roberto Benigni) e seu filho Giosué, que são levados para um campo de concentração nazista, e, em meio ao terror da guerra, ele busca fazer o menino acreditar que estão participando de uma grande brincadeira. Com alegria e criando um mundo de fantasia para seu filho, o pai busca protegê-lo da violência do conflito, preservando a inocência de sua infância.

Livro - "A vida Verdadeira de Domingos Xavier", de José Luandino Vieira

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Prof. Carl Lima Redação d' Historiante


Angola, 1961, período ainda de colonização no território, momento de grande agitação cultural com destaque para o aparecimento de romancistas, contistas, jornalistas e poetas que criticavam essa situação e buscavam evidenciar de maneira ampla um dito nacionalismo angolano e uma possível angolanidade. Foi  justamente através das letras que apareceram as raízes de um povo subjugado desde os fins do século anterior. É neste contexto que surge José Luandino Vieira, nascido, criado e formado na educação portuguesa do ditador fascista Antonio de Oliveira Salazar, e todas as suas obras, como Luanda (1964), Vidas Novas (1962), A Cidade e a Infância (1960), têm uma característica em comum: a denúncia e o combate à assimilação estabelecido pelo processo colonial.