Profissionais de educação são espancados no Rio de Janeiro.


Queridos amigos historiantes, é com muita tristeza que venho comunicá-los que durante à noite e madrugada de ontem, colegas da Rede Municipal do Rio de Janeiro foram retirados de forma extremamente violenta pela polícia da Câmara de Vereadores que ocupavam há alguns dias para tentar sensibilizar os vereadores a não votarem a favor de um plano de carreira ridículo que o prefeito Eduardo Paes enviou à Câmara para ser votado em caráter de urgência. Mais tarde postaremos vídeos mostrando o que aconteceu.  

Divido com vocês um relato emocionante de um professor que estava dentro da Câmara.


Marcos Rodrigues publicou em Professores da Prefeitura do Rio de Janeiro (retirado do facebook)
"Bom dia companheiros,
São 6:54 e acabo de chegar à minha casa. Deixei a 5ª DP por volta das 6:00 após a liberação dos companheiros Gustavo e Ércio.
Estou bem , sem nenhum arranhão. Quis o Senhor assim. Poderia ter sido diferente.
Muito cansado. Sinto muita vontade de chorar! Meu rosto se contrai e meus olhos se enchem, mas estranhamente não consigo.
Muito triste. Muito magoado.
Nestes três dias vivi momentos lindos e de grande emoção, e também vi e vivi momentos muito dolorosos.
Vi mães que deixaram seus filhos pequenos com seus companheiros ou pais para estarem conosco. Vi um menino de quatro anos ir à Câmara dos Vereadores "visitar" a mãe e conversar com ela por uma grade enquanto ela explicava a ele porque não podia ir para casa, era preciso garantir para ele seu filho um país mais digno!
Vi uma professora que está concluindo seu mestrado de artes fazer parte da comissão de limpeza que foi organizada pelos colegas. Colou no peito um crachá feito de papel onde se lia: RESPONSÁVEIS PELA LIMPEZA. Vi esta colega lavando privadas ao lado de companheiras cozinheiras, agentes de disciplina e auxiliares de creche. Finalmente após tantos anos do ensino de história compreendi o verdadeiro significado da palavra igualdade!
Vi colegas contando suas histórias e seus passados dentro de suas famílias e dentro da educação carioca. Emocionei-me a cada relato!
Vi uma jovem de pouco mais de vinte anos chorando copiosamente com saudades do filho de 1 ano e nove meses, porém sem admitir a possibilidade de sair antes de todos os outros.
Vi colegas conversando, pelo telefone, com mães e pais nervosos e assustados e acalmá-los dizendo que tudo era muito importante para todos e que ficassem calmos por que tudo acabaria bem.
Vi pessoas que nunca se viram dividindo pacotes de biscoito e pedaços de pão.
Vi pessoas cantando juntas, animadas, satisfeitas, de mãos dadas, quando já existia a certeza da violência que estava por vir.
Vi dezenas de pais de alunos acorrerem aos portões da Câmara de Vereadores para levarem víveres e objetos para nós ou simplesmente para declararem seu carinho e apoio.
Vi pessoas humildes se oferecendo para comprarem o que fosse preciso para que não passássemos privações.
Vi esperança, vi fé, vi coragem, vi caráter, vi determinação, vi o que o ser humano tem de melhor.
Estou muito feliz de ter feito parte disto e espero que amanhã dezenas de milhares se juntem a nós. Irmanados na construção de uma sociedade mais justa! Na conquista da igualdade! Na busca da liberdade e da democracia.
Ainda agora, não consigo chorar. Talvez depois.
Marcos Luiz Freitas Rodrigues"

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