O Big Ben calou quando Margareth Thachter passou


Profª Joyce Pereira
Redação d'O Historiante


Em 08 de abril de 2013, correu pelo mundo a notícia da morte da "Dama de Ferro". Para quem não a  conhece pela sua alcunha, Margareth Thacther (1925-2013). Foi uma das principais líderes políticas das últimas décadas. Ela foi a primeira mulher que ocupou o cargo de primeiro-ministro britânico em 1979. À esta época, a Europa estava assolada pela crise econômica ligada à inflação, altos índices de desemprego, crise petrolífera e perpassada pela Guerra Fria. De posicionamento conservador, adotou uma política anticomunista e, dos seus primeiros cinco anos de governo ainda são discutidas se as medidas implantadas (redução de impostos, reformou e controlou sindicatos trabalhistas) melhoraram a Grã-Bretanha.

Apesar de toda a polêmica envolvida neste processo, Thacther foi reeleita em 1984 devido à sua intervenção na Guerra das Malvinas (1982). Não podemos deixar de perceber o quanto este conflito pelo território das Malvinas ainda é forte entre Argentina e Grã-Bretanha. No seu segundo mandato como primeira-ministra da Grã-Bretanha realizou muitas privatizações de empresas pertencentes ao Estado. Por isso é considerada uma das precursoras do neoliberalismo. Foi novamente reeleita em 1989, mas, devido a conflitos dentro do partido político a que pertencia renunciou após a queda do muro de Berlim em 1990.


Apesar de não estar atuando na política o legado de Thatcher permanece: as Malvinas continuam  sendo território ultramarino britânico, seus moradores se identificam com esta identidade e o neoliberalismo ainda faz parte dos Estados. Em 2011, se tornou ícone do cinema com o filme The Iron Lady, que versa sobre sua chegada ao poder e a atuação durante a Guerra das Malvinas.

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Sua morte gerou ações totalmente diversas. Houve lamentações dos que a admiravam, bem como vivas dos que a odiavam. Seu funeral teve honras de Estado (algo que só é feito ao monarca falecido) e foi orçado em torno de 10 milhões de libras. Este tipo de homenagem a um civil foi feita quando o ex-primeiro ministro Winston Churchill (1874-1965) faleceu (uma honraria em reconhecimento à sua atuação política na II Guerra Mundial). Não era dela o interesse que a despedida fosse assim. Na verdade, queria uma cerimônia particular (devia prever os conflitos que causaria na população devido aos gastos estatais com um funeral deste porte). Muitos foram às ruas cantar "The witch is dead" (a bruxa morreu), uns deram as costas ao caixão, outros fizeram os dois. Também houve choro e emoção quando Thacther passou. Há notoriamente conflitos quanto à imagem de Thacther, mas, se fosse um homem que tivesse tomado estas decisões a reação seria a mesma?



 A verdade é que, gostando ou não da "Dama de Ferro", muitos pararam para vê-la passar e o símbolo da Grã-Bretanha, o Big Ben, silenciou-se em respeito a ela. E não é por qualquer um que se faz isso.




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