Horóscopo, História, Humanos: O dia de hoje será recheado de novos conhecimentos...


Prof. Lucas Adriel S. de Almeida.
Redação d'O Historiante


Muito popular entre adolescentes, principalmente entre o público feminino, a prática de consultar o horóscopo diariamente remete a uma vontade comum entre os seres humanos: a de compreender o futuro. Sintomático neste sentido é a existência de diversos produtos no mercado midiático, que trazem no seu leque de conteúdos as referidas previsões astrológicas - entendo que não existiriam tantas opções no mercado sem um público consumidor. Agregam-se a estas previsões, dicas para que a pessoa interessada tenha desempenho satisfatório (tanto na área pessoal, quanto profissional), influenciada por ações previamente tomadas, como o uso da cor adequada para o dia.



Mesmo tendo maior aceitação em certos grupos sociais, os horóscopos se baseiam em previsões astrológicas que chamam a atenção de pessoas de todas as faixas etárias e sociais da sociedade brasileira. Mesmo entre os mais céticos, as características ligadas aos signos do zodíaco, seus ascendentes lunares e solares, provocam surpresas pelas semelhanças encontradas com as personalidades das referidas pessoas. Tendo esta compreensão como ponto de partida, entendemos que a relação entre o conhecimento sobre as posições dos astros e as influências que estes exercem sobre as nossas vidas é algo presente, mesmo que no inconsciente de muitos de nós.

Outras situações podem ser mencionadas aqui, como indicativas da prática acima mencionada. Acredito que todos nós conheçamos alguém que esperou determinado posicionamento da lua para cortar o cabelo, ou ainda, determinado mês, dentro do calendário solar, para realizar o seu ritual de casamento. Bom, partindo desta perspectiva, destacamos que não é objetivo deste texto problematizar esta forma de ler a realidade, mas sim tomá-la como ponto de partida para chamar a atenção de todos a necessidade de compreender a importância do estudo de História, neste caso, principalmente, a História Antiga, para que possamos fazer uma leitura precisa dos elementos que compõe o nosso cotidiano. 

A influência que o movimento dos astros ou as forças da natureza têm sobre o nosso cotidiano esteve presente também em outras sociedades que nos antecederam e não se constitui um privilégio da juventude dos tempos da redes sociais. É algo que remete às civilizações da antiguidade oriental, passando pelas civilizações da antiguidade clássica, como a grega, onde por exemplo, se sistematizou o horóscopo a partir da já existente prática de estudar os astros e sua influencia na vida dos seres humanos. Abaixo, destacamos uma imagem de publicidade do anime japonês Cavaleiros do Zodíaco, que mostram os 12 cavaleiros de ouro representados cada um por um dos 12 signos do zodíaco, o que mostra mais uma vez como tais elementos estão presentes em nossas vidas.






A compreensão histórica das práticas sociais cotidianas, constituí-se como elemento fundamental para uma percepção mais acurada da realidade. Aqui faço um parênteses, para os professores que estão lendo estes texto, para perceberem a importância de problematizar a partir destes animes o estudo das civilizações da antiguidade oriental e da antiguidade Clássica. A prática de buscar compreender a vida sob a influência dos astros foi fator estrutural em várias civilizações. Na civilização mesopotâmica, por exemplo, na antiguidade oriental, o conhecimento científico esteve diretamente atrelado as concepções religiosas daquela sociedade que tinha nas forças da natureza e na astrologia pontos fundamentais de sua crença politeísta.

A civilização mesopotâmica organizou-se num sistema de cidades-estado, onde cada cidade tinha autonomia administrativa. Sua base econômica foi a agricultura - visto sua posição estratégica ao lado de grandes rios - e suas manifestações religiosas compreendiam a existência de um politeísmo que cultuava as forças da natureza. A título de exemplo, podemos citar Enlil, deus do ar e do destino e Shamash, deus do sol e da justiça, como elementos da religiosidade mesopotâmica. Os gregos são mais conhecidos de nós, principalmente pelo fato de ter sido na Grécia Antiga que surgiram a democracia (apenas para lembrar que uma democracia muito diferente da que temos hoje, onde apenas uma pequena parcela da sociedade tinha acesso. Nossa! Será que é diferente mesmo?) e os Jogos Olímpicos (poderia falar novamente do Brasil, mas vou optar por não fazê-lo), mas os gregos podem ser lembrados também pela sua relação com a questão da astrologia.

Bom, acredito que o conjunto destes elementos fazem parte da vida de nosso alunado e constituem-se como uma importante ferramenta pedagógica para elucidar (não só nos nossos alunos, mas em todos nós) uma compreensão, não só das sociedades antigas, mas principalmente uma compreensão crítica da nossa própria realidade. A intenção é demonstrar a importância de se estudar história, principalmente entre os jovens e adolescentes, sendo que estes ainda estão com seus valores em formação. Cabe a disciplina de história fazer frente a posicionamentos cada vez mais sustentados em visões deturpadas da realidade, sendo seu papel ainda, servir de instrumento na luta contra a alienação social.




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