Mais uma resposta ao Senhor Silas Malafaia



Prof. Carl Lima
Redação d'O Historiante




É meus caros, em nome de Deus cometem-se vários tipos de atrocidades e desrespeitos. Tudo respaldado numa fé cega e aparelhada por indivíduos que se colocam enquanto  “ungidos” e fiéis representantes de uma divindade-mor em nossa vida mundana. Não estou recorrendo à História e nem me reportando à Idade Média ou ao Tribunal de Santo Ofício, tampouco, estou falando da dita "Guerra Santa/justa" no Oriente médio. Direciono minha atenção e preocupação ao Brasil desse inicio de século, onde uma série de discursos  proferidos por Pastores de Igrejas evangélicas, não só das ditas neo-pentecostais, geralmente mais vulneráveis às críticas, atentam contra os direitos civis, que foram duramente conquistados, demonstrando desrespeito aos valores humanos e ratificando preconceitos e ódio.




O caso mais recente e de grande repercussão midiática foi a entrevista do Senhor Silas Malafaia ao Programa “De Frente com Gabi”. O pastor e líder espiritual da Igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, dentre alguns assuntos abordados, resolveu mais uma vez ratificar sua opinião em relação a algumas polêmicas nas quais se envolveu nos últimos anos. O dito pastor se coloca enquanto crítico ferrenho da PLC 122 (para quem não sabe é o projeto de lei inicialmente conhecido “por um Brasil sem Homofobia”, criado pela ex-deputada Iara Bernadi em 2006 e que atualmente se encontra na Comissão dos Direitos Humanos do Senado federal), vale ressaltar que o projeto fora bastante modificado pelos relatores no Congresso Nacional com o objetivo de ganhar apoio das bancadas conservadoras, inclusive dos evangélicos.




Com isso, o Projeto passou a criminalizar preconceitos de toda ordem, inclusive o religioso. Vejamos o que nos diz o 1º artigo do projeto: Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

No entanto, durante suas entrevistas, inclusive nessa última, o digno pastor pouco cita ou até omite o teor real e globalizante da PLC 122, enfatizando apenas o que concerne aos direitos homossexuais. Em sua opinião marcada por preconceitos e guiada por uma suposta ética cristã, essa lei atentaria contra o direito da coletividade, dando privilégios aos gays e às lésbicas, considerados praticantes de um comportamento desviante e reconhecidamente pecador. 

Senhor Silas, qualquer tipo de lei que busque reparar problemas históricos e criminalizar preconceitos de qualquer ordem deveria ser apoiado e defendido por cidadãos de bem e que primem por uma harmonia  e justiça social. Esse talvez seja um dos ensinamentos daquele de quem vossa pessoa fala sempre em nome e que, com toda certeza, o senhor não está respeitando. Mas não, o que fazes é justamente o contrário. Profere palavras dessa ordem: “Eu amo os Homossexuais como amo os bandidos




Frase forte contra os princípios de fraternidade/igualdade e que fere a Declaração dos Direitos humanos em diversas nuances. Infelizmente, vivemos num país que viveu recente uma Ditadura civil/militar (1964-1985) e que, por experimentar uma democracia culpada – tal qual os sentimentos cristãos – e na defesa de uma pernóstica “liberdade de expressão”, aceitamos seus impropérios, e alguns ainda, numa atitude de apoio, os reproduzem. O que nos sobra? Talvez a força da insatisfação e o sentimento da não-conivência aos atos de intolerância e desrespeito.

Só mais uma coisa, e falo aqui para Eli Vieira: o pastor Silas Malafaia, antes de tentar estudar de uma maneira menos ortodoxa a Genética, precisa compreender noções de cidadania, respeito, amor e civilidade. Diferentemente da Marília Gabriela, eu espero que qualquer Deus não o perdoe!!!



Comentários

  1. Ótimo texto! Perdi essa entrevista bizarra! Vou procurar pra assistir!

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    1. Gosto desse blog e acompanho ele a algum tempo e assistir essa entrevista e não tem nada de bizarro em ter uma opnião diferente dos outros, nesse país se a pessoa tiver uma opnião e defender ela já é considerada rádical.
      Bizarro é pensar igual a todos bizarro é ter a sua crença o por causa de alguma ter que se calar bizarro é o que os militantes gays fizeram ao mentir em um processo no ministério publico para condenar o pastor Silas imagina o que eles farão com essa agora sim Bizarra PCL 122

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  2. Os evangélicos nesse Brasil católico, vem durante anos sofrendo uma evangelicofóbia, igrejas apredejadas, chigados não tendo direitos e durante anos até os dias de hoje é ridicularizados nas novelas e em muitos programas de tv, e sei que aqueles que se diz cristão não tem o direito de discriminar nimguem a biblia é o manoal de fé de milháres de cristãos em todo o mundo e codena muitas práticas mais a mesma nos manda amar a tods, amar não é aceitar ou não discordar talvez o senhor não publique esse comentário mais os próprios militantes gays em outro tempo mentiu em um processo no ministério público para condenar o pastor silas como vem falar agora em ditadura direitos humanos.

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    1. Boa Noite, Antonio

      Primeiramente, agradeço a leitura e os comentários. O Historiante acredita que toda construção de conhecimento perpassa antes de tudo pelo diálogo e pelas opiniões, mesmo e principalmente, que essas sejam contrárias. Por se tratar de um Fórum democrático de maneira nenhuma deixaríamos de publicar sua opinião, mas alguns pontos precisam ser colocados: Mesmo sabendo que a população brasileira seja formada por maioria católica, é notório o crescimento dos evangélicos/protestantes, segundo o Censo de 2010 já são 42,3 milhões. Com esse número, evangélicos são tudo, menos minoria no que concerne direito e visibilidade. Quanto aos atos de vandalismo a templos, confesso não lembrar de nenhum caso, pelo menos que tenha sido amplamente repercutido. Já atos de intolerância, desrespeito as diferenças e apedrejamento moral em relação a outros grupos religiosos, a exemplo dos Candoblecistas, são práticas cada vez mais comuns em se tratando de algumas denominações evangélicas. Por fim, nossa postura de defesa a PLC 122 está amparado na crítica ao preconceito, quaisquer que seja ele, por sinal, esse é o pressuposto cabal desse projeto de lei,fato, que o Senhor Silas Malafaia teima em desvirtuar e descredenciar, reduzindo-o a uma agenda Homossexual, qual a intenção disso? Falta de conhecimento - algo que duvido - ou mal-caratismo? Salvemos as diferenças, defendemos os direitos!!! Como nos ensinou Rosa de Luxemburgo, temos apenas dois caminhos sociais: Civilização ou Barbárie!!! Em algum momento teremos que escolher em qual lado estaremos,desconfio que o "ungido" Pastor já tem escolhido seu lado.

      Atenciosamente

      Carl Lima

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    2. Você não lembra de caso de apedrejamento a igrejas evangélicas pq esse tipo de noticia não interessa aos jornais, mas quando se trata de denegrir a imagem dos evangélicos tem uma repercussão tremenda. O pastor Silas é chamado de homofóbico pq prega o que sua posição de pastor manda ele pregar, agora homossexuais ridicularizarem símbolos cristãos é considerado normal e defendido como "liberdade de expressão", o engraçado que essa "liberdade" só existe de um lado.

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  3. hmmmm..... seii não. Contradiçãozinha no final! "Só mais uma coisa, e falo aqui para Eli Vieira: o pastor Silas Malafaia, antes de tentar estudar de uma maneira menos ortodoxa a Genética, precisa compreender noções de cidadania, respeito, amor e civilidade. Diferentemente da Marília Gabriela, eu espero que qualquer Deus não o perdoe!!!". Como assim???! Vc fala de amor, civilidade, respeito e diz que qualquer Deus não o perdoe??! cadê o amor pregado???! Intolerância!!?

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    1. Boa tarde

      Lucas, vc tocou num ponto central no texto, demostrou ter um bom censo interpretativo!!! A construção textual final busca provocar e levantar a discussao. Mas de antemão lhe afirmo, não falo em nome de Deus, muito pelo contrario, acredito que as religiões ou qualquer entidade superior, principalmente aquelas que primam pelo monoteísmo, tem um carater escatologico e sinceramente fujo disso, não acredito em sentido final. Assim, como minha visão de Deus é nula, pedi para que ele ou eles não perdoem o Senhor Silas tem um efeito de placebo, no máximo, uma eficacia simbólica.

      Abraços

      Carl Lima

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  4. Velho Cal, muito bom texto! Além de ter feito uma ótima reflexão, demonstra na sutileza e no jogo de significados de suas palavras (percebida de longe pelos que o conhece) um espírito questionador e provocativo. Uma análise centrada em uma discussão polêmica que lhe coloca no ardil de ter que caminhar entre sexualidade/afetividade e religião, sem clamar, é bom frisar, por um antagonismo desnecessário entre as mesmas. O que difere da postura do Pastor Silas. Ponto pra vc véi! Portanto, penso q a postura do Carl, vai contra certos tipos de proselitismos religiosos assentados no desrespeito a diversidade, tal qual se tornou prática convencional de denominações religiosas que não são nem de longe minoritárias.
    Realmente falar em religião, principalmente em um país onde as bases morais/comportamentais são notoriamente assentadas no cristianismo, é correr risco, ou melhor, riscos! Principalmente se vc resolve não falar em nome de deus (o "deus" em letras minúsculas é intencional). Muitas das premissas que herdamos do cristianismo que consistem em vc ter um bom comportamento para uma recompensa futura, no pós-morte e futuro julgamento, medo do olho onipresente de deus, por exemplo, acabam superando a capacidade reflexiva dos sujeitos de fazerem acordos pelo bem-estar comum imediato. Em detrimento disso, muitas pessoas só fazem os acordos sociais pensando no bem-estar assentado em pressupostos religiosos, esquecendo-se ou sequer nem refletindo que nem todas as pessoas têm a mesma religião.
    Como as múltiplas experiências religiosas colocam pessoas, muitas vezes, em lados diferentes estabelece-se a barbárie, infelizmente! Creio que o texto caminha para essa reflexão e fico satisfeito que o historiante seja um canal para estas discussões onde o respeito e a pluralidade sejam a tônica do diálogo.

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  5. Vendo o início da entrevista de Silas em “De frente com a Gabi”, percebi que as perguntas e questões levantadas por Gabi, nada mais são do que questionamentos feitos por aqueles que não conhecem a razão da fé dos evangélicos, não compreendem a base espiritual que nós, cristãos, temos para proferir palavras muitas vezes mal interpretadas. Palavras como “Amo os homossexuais como eu amo os bandidos”. Por que dizer isso? Na Bíblia é pregado o amor ao próximo e temos o ensinamento de que Deus odeia o pecado, mas Ele ama os pecadores. Não existe aquele que não peca e para Deus não existe “pecadinho” ou “pecadão”. O homossexual, assim como um bandido são filhos de Deus e se ele se interessa por pessoas do mesmo sexo ou roubou algo, nos é ensinado a amá-los, pois somos irmãos em Cristo. Como disse antes, só quem vive desta fé pode compreender nossas palavras. Se Silas fere os Direitos Humanos, cabe às autoridades intervir em razão dos desrespeitados e oprimidos, mas pregar uma fé e um embasamento bíblico não gera crime, uma vez que nos é resguardada pela nossa Constituição no nosso art. 5º. Eu como cristã, estaria ferindo minha crença se eu discriminar uma pessoa por ser homossexual, mas estaria ferindo também se eu concordar com uma prática repudiada pelos ensinamentos bíblicos.
    Enfim, sou a favor da liberdade de expressão, assim como sou a favor do conhecimento de causa para poder gerar essa expressão. Não posso condenar um irmão candomblezeiro ou budista por suas palavras de fé se eu não compreender o que os instiga a tal crença.
    E sim, sou a favor dos Direitos Humanos, e a favor da punição aos que os ferem, sendo que na minha opinião Silas não os fere.
    Às outras questões da entrevista, deixo ao meu irmão Silas o direito de defesa.

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  6. E por complemento, a PLC diz "Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero." Então, não seria crime um texto preconceituoso contra a religião pregada por Silas, uma vez a pregação dele tem embasamento bíblico?

    E mais... "Em sua opinião marcada por preconceitos e guiada por uma suposta ética cristã", como disse anteriormente, o conhecimento de causa é uma excelente ferramenta para uma crítica bem fundamentada, sendo que por falta de conhecimento, você pecou na falta de fundamentos, por que a ética cristã, que você diz como suposta, tem embasamento real e ela se chama BÍBLIA.

    No mais, valeu a opinião!!! Somos um país livre!!!

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  7. Senhora Thuanne

    Não quero que o Brasil recaia apenas na fálacia do "somos um país Livre" encoberta por um suposto direito garantido no bem dito artigo quinto de nossa formosa Constituição Cidadã, quero e anseio por um país justo e sério, em favor da sociedade e dos famosos direitos plenos de cidadania. Não sou contra a etica cristã, como vc mesmo disse, não tenho conhecimento de causa, para negar, é preciso ao menos conhecer. E não julgo que no texto tenha sido preconceituoso contra a religião pregada pelo Senhor Silas,que por sinal não a conheço também e pode ter certeza que não faz parte de meus projetos conhece-la. Fui contra a opinião dele em relação a discriminação social aos Homossexuais, mas me parece que ser contra as opiniões/impropérios do "ungido" e sacralizado Pastor é um sacrilégio, pois se trata de um escolhido. Por fim repudio a todos aqueles que atentam contra a sociedade, pois a ela devo a minha existência!!!

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  8. Sir. Carl

    Acho curioso, de certa forma, você concordar e defender veementemente a PLC, mas em relação ao artigo de nossa Grande Constituição, trata-la como injusta e palhaçada. Só lembrando que a PLC em seu art 1º nada mais é uma cópia dos arts. 3º e 5º da própria Constituição. Como admiradora do nosso Direito, na teoria, e não na prática, ressalto esta observação por não ser o mesmo direito, aconselho a ter mais cuidado ao defender um direito e esquecer de outro, pois se você defende a PLC sobre o assunto "preconceito homossexual" e esquece outro lado no mesmo artigo que é "preconceito de religião", você se torna contraditório ao reclamar do comportamento de Silas. Me atrevo a dizer que se torna igual em questão de preconceitos.

    Mas tudo bem, compreendo que não tenha gostado do que Silas falou, assim como pode discordar se eu disser que amo os homossexuais como amo os bandidos e não é um sacrilégio ser contra Silas, é um sacrilégio ser contra a uma crença e você pode concordar comigo que se fosse um padre ou um monge, pessoas que acreditam nestas religiões estariam aqui as defendendo.



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  9. Senhorita

    Confesso, mais uma falta de conhecimento em relação a leis, mas o que alguns dos maiores jurista falam é: A PLC 122 ganhou status, a partir das reformas no congresso,de complemento ao devidos artigos citado por vc. Mais uma vez reitero que no Texto não demonstrei nenhum preconceito contra quaisquer religião, apenas opinei contrariamente aos equívocos de um dito Pastor, mas poderia ser ele um Padre, Babalorixá, professor, jurista ou um mecânico, que teria a mesma postura. Assim, tal qual, a Deus é amo o ser humano, mas não seus pecados/discursos difamatório.

    Obs: vc está agindo com tráfico de influencia, pois conhece minhas opiniões em relação alguns assuntos

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  10. Saiba que dei muitas risadas ao ler esta última observação. Vou encerrar aqui meu direito de resposta sobre seu texto, uma vez que tenho certeza que você me entendeu e já sabe que, se voltar a tecer comentários contra comentários de cristãos com embasamentos bíblicos, sempre terás uma colega aqui com direito de réplica.

    Que Deus possa continuar te abençoando!!!

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