Escolhas, caminhos, decisões.





Prof. Pablo Michel Magalhães
Redação d'O Historiante


Sempre gostei de revisitar alguns clássicos cinematográficos. Não sei ao certo porquê, mas gosto do estilo de direção de filmes das décadas de 1980 e 1990. Acredito que muitas obras desse período conseguiam captar os anseios e expectativas de uma geração. O que nos espera lá fora, além das paredes de casa? O que fazer quando não se sabe ao certo o quê esperam de você?

Algumas dessas questões me vêm em mente sempre que assisto o Clube dos Cinco. E o que há de tão excitante em um filme que se passa, completamente, em uma sala de detenção numa escola de ensino médio, com apenas cinco pessoas, que não se conhecem e que, aparentemente, se odeiam? Duas horas de tédio e sono diante da tela? Não, muito pelo contrário.

Pra quem não conhece, o Clube dos Cinco (The Breakfast Club, no original) gira em torno de um grupo de 5 jovens que, por subverterem a conduta esperada pela escola, devem como punição passar o sábado em uma sala de detenção, escrevendo uma redação de 1000 palavras, sobre quem eles pensam que são. A peculiaridade do caso é que cada um dos 5 faz parte de um grupo diferente na escola: há o "marginal" John Bender, o "nerd" Brian, a "estranha" Allison, a "princesinha" Claire e o "atleta" Andrew, representantes da realidade escolar dos grupos, dos estereótipos, dos preconceitos irracionais.

Eles não possuem nada em comum, apenas o fato de que representam rótulos, que muitas vezes nem sabem ou imaginam o porquê de existirem. Entre conversas, brigas, discussões, conquistas amorosas, os 5 vão descobrindo que fazem parte de famílias problemáticas, com pais e mães insensíveis, que cobram o tempo todo dos seus filhos notas (no caso do Brian), vitórias (no caso de Andrew), beleza e pureza (em relação a Claire), ou depreciam os filhos, rotulando-os de esquisitos ou "casos perdidos" (Allison e John Bender são os exemplos).



Com o intuito de captar esses conflitos, o diretor e escritor John Hughes utiliza seus personagens como sujeitos que encarnam a dinâmica escolar dos estereótipos, mas aprofunda seu olhar, e revela que aqueles alunos, que foram obrigados a responder quem eram em uma redação, tinham sentimentos, e refletiam em suas atitudes aquilo que os pais ansiavam, pressionados a "ter um futuro".

Penso: seria o Clube dos Cinco mais atual do que imaginamos? Os estereótipos, as pressões familiares, as expectativas da sociedade, ainda fazem parte do nosso sistema escolar? Além dos nerds, princesinhas, atletas, estranhos e marginais, quais outras personalidades estamos buscando rotular, e não compreender?

Fica a reflexão.

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