Dica cultural - Cine Holliúdy



Poster do Filme.
Nem tão rico quantos os filmes americanos de Steven Spilberg, que reúnem produções super milionárias, mas nem por isso menos nobre, menos fantástico e fascinante. Talvez os aficionados por cinema encontrem no filme que estamos indicando hoje boas formas de repensar o cinema, e até mesmo as produções nacionais. A história de Cine Holliúdy acompanha uma família no interior do Ceará nos anos 1970. Francisgleydisson (Edmilson Filho, de As Mães de Chico Xavier), esposa (Miriam Freeland, da novela Máscaras) e filho (Joel Gomes) saem de uma cidade pequena para tentar a sorte em outro local.

O sonhador protagonista é dono de um projetor de cinema, mas seu trabalho está arriscado pelo crescimento no número de aparelhos de televisão. Essa inovação tecnológica é o motivador da mudança de lar.

Pela sinopse, o espectador pode entrar na sala de projeção à espera de uma obra que celebre com certo romantismo o amor pela sétima arte. “A surpresa se dá porque o filme vai além dessas expectativas”. Cine Holliúdy inova não apenas na escrita do título fazendo uma comparação aberta e escancarada com o cinema mais famoso do mundo, mas apresenta outros elementos que, se aparentemente se distanciam do universo americano, quando olhamos um pouco mais focado, percebemos como este pode ser enxergado em linhas tênues na produção.

É o típico caso do cinema popular, uma comédia que apresenta o subdesenvolvimento, utilizando o antigo termo que retrata essa condição econômica. O filme consegue ser aquilo que propõe e não apenas forja personagens como em outros casos. É, ao mesmo tempo, uma crítica às formas de fazer cinema no Brasil, tão rico em seu celeiro de cineastas, mas tão pobre ainda em investimentos cinematográficos.

No momento em que o filme é caro demais para ser feito, o caminho é encontrar no humor e na crítica bem feita o percurso menos caro, que demonstra a pobreza e a falta de investimento, ao mesmo tempo em que conta a história de um sujeito capaz de arrancar boas risadas com suas inovações não tanto tecnológicas. O filme conta também a história do cinema no interior do Brasil, e isso é o legal.

O dialeto “cearencês” e suas expressões bastante atípicas para quem não vem do Ceará é um convite ao riso. A legenda é quase um recurso indispensável para o telespectador que se aventura em assistir.

Halder Gomes produz um filme que mais pode ser classificado como uma chanchada, que usa termos estereótipos bastante peculiares ao gênero (a gostosa, o galã, a fofoqueira) todos estes são elementos do filme que tem como personagem principal Francisgleydisson, produtor, que conta e faz os filmes acontecerem na maior dinamicidade possível. Depois de tudo feito, ele sai pelo interior do Ceará espalhando a película com o intuito de divulgar, mas a cada nova exibição é preciso reinventar a história e adaptar à sua realidade local.

Pode-se pensar com essa curta sinopse que é o típico cinema brasileiro, que ainda persiste no subdesenvolvimento, apesar dessa palavra há quatro décadas ser tida como um estágio e não um local de permanência. O filme não é mirabolante, não tem catarse, é apenas para rever a realidade, voltar a pensar no que faz e continuar fazendo, principalmente os produtores de cinema popular no Brasil.

Como disse um jornal crítico em cinema popular de Pernambuco:

“Francisgleydisson somos nós”!

Assista ao trailer


O Filme estreia nos cinemas do Brasil a partir dessa sexta-feira (09)  apesar que deste agosto desse ano o filme já tem sido rotado em festivais pelo Brasil afora e os elogios da crítica especializada tem entusiasmado o público, principalmente os cearenses que são apresentados de forma tão peculiar.

Para ler mais sobre cinema acesse o link:

http://brcine.com.br/

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