Álbum - Capim - Guiné (Uma guerra de facão) - Wilson Aragão.




Prof. Lucas Adriel S. de Almeida.
Redação d'O Historiante


No álbum lançado no ano de 1986, intitulado Capim-Guiné (uma guerra de facão), Wilson Aragão não produziu música condicionado às questões comerciais; em outras palavras, não teve e não tem a pretensão de “agradar” às tendências voláteis e superficiais da indústria da música. A obra em questão traduz o cotidiano popular, sendo a voz da parte da população marginalizada, geralmente esquecida dos grandes públicos. A musicalidade de Aragão tem o som do nordeste brasileiro, e suas letras traduzem os anseios e as experiências de diversos cidadãos e cidadãs de um Brasil muitas vezes posto à margem dos grandes empreendimentos econômicos e sociais.


Os temas que compõe este álbum retratam o cotidiano sertanejo, recuperando as paisagens e as vivências do campo. Nas letras, são recorrentes as referências à questão da terra e a relação que o trabalhador do campo estabelece com a mesma. A obra retrata as experiências do ser humano na zona rural, bem como seus confrontos com a necessidade do êxodo em busca de melhorias na “cidade grande” e as percepções destas forçadas transformações, como ele apreende estas novas experiências. As letras conservam intencionalmente regionalismos da língua portuguesa, expressões comumente faladas neste vasto nordeste brasileiro. Natural do "Sertão de Piritiba", Aragão traduz em sua música um pouco de sua vida.

Apesar de sua produção não estar vinculada aos apelos comerciais do mercado, as composições presentes neste álbum, ainda hoje, são sucesso nas rádios e suas parcerias e regravações passeiam pela grande mídia também nas vozes de grandes nomes da MPB como Raul Seixas, Zé Ramalho e outros. A obra constitui-se, portanto, numa excelente opção de lazer para todas as horas. A qualidade e o cuidado que o artista imprimiu à obra, bem como seu dialogo com a temática do regionalismo, dão testemunho da contribuição de Wilson Aragão à MPB. O olhar crítico que sua arte estabelece sobre a sociedade é um ponto de partida bastante atraente para se trabalhar diversos conteúdos em sala de aula.

Seus temas super atuais e ricos de possibilidades de abordagens constituem-se num precioso elemento didático e pedagógico para o trabalho em sala de aula. Seu apelo Regional e seu intenso caráter histórico, filosófico e sociológico abrem diversas possibilidades para o uso deste álbum nas aulas das mais variadas disciplinas, tomando diversas destas questões como temas transversais, dos quais diversos conteúdos podem ser enraizados.  Em síntese,  a riqueza da música popular brasileira e a particularidade e os diálogos propostos pelo mencionado trabalho de Wilson Aragão convergem para inúmeras possibilidades, não só de prazerosas horas de lazer, como de um fazer diferente em sala de aula.

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